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Paulo Eduardo F. de Campos

O uso de estruturas pré-fabricadas de concreto no Brasil data do final dos anos 50, quando empresas como a Sobraf e a Protendit iniciaram suas atividades. Nas décadas posteriores os pré-fabricados tornaram-se conhecidos no meio técnico e iniciaram sua trajetória rumo a uma maior difusão, a qual culminou em meados dos anos 80, quando fatos singulares, assinalados abaixo, marcaram definitivamente a presença da tecnologia no mercado da construção civil:

  • a publicação da norma brasileira NBR-9062, de Projeto e Execução de Estruturas de Concreto Pré-moldado (e Pré-fabricado), em setembro de 1985.
  • posterior publicação pela ABCI (Associação Brasileira da Construção Industrializada), em novembro de 1986, do Manual Técnico de Pré-Fabricados de Concreto.
  • a chegada dos pré-fabricados de concreto à grande mídia (Consid e Munte), por meio de propagandas veiculadas em horário nobre pelas principais redes de televisão.
  • o programa dos CIEP's (Centros Integrados de Educação Pública) no Rio de Janeiro, que em 1986 empregaram pré-fabricados de concreto, em projeto assinado por Oscar Niemeyer.
  • o programa da Fábrica de Escolas do Rio de Janeiro (1984), que desenvolveu o modelo tecnológico baseado em pré-fabricados leves de microconcreto, a seguir estendido a diversas regiões do Brasil e outros países.
  • o mercado emergente dos pré-fabricados leves de concreto, ancorado principalmente no "consumo formiga" gerado por auto-construtores nas periferias das grandes cidades brasileiras, principalmente no Centro-Sul do país.

Passados 18 anos desde a publicação da norma brasileira de Pré-fabricados de Concreto, a NBR-9062, observa-se um tímido crescimento da participação deste segmento de mercado na construção civil.

Entre as principais razões que têm sido atribuídas para o concreto pré-fabricado ser pouco utilizado estão: o sistema tributário que penaliza o emprego de elementos pré-fabricados em usina, a falta de conhecimento do mercado sobre as alternativas que pode oferecer o concreto pré-fabricado, a indisponibilidade de dispositivos auxiliares para realizar ligações e manuseio de elementos etc.

Esta conjunção de fatores acarreta um círculo vicioso responsável em grande parte pela não exploração da potencialidade do concreto pré-fabricado. Ou seja, não se constrói porque não há insumos tecnológicos (conhecimentos, experiência, equipamentos e dispositivos auxiliares) e não há insumos tecnológicos porque não se empregam em larga escala, nas construções, os pré-fabricados de concreto, como comenta o prof. Mounir Khalil El Debs.

Apesar das oportunidades conjunturais que se observam atualmente, quando até mesmo empresas estrangeiras do setor são atraídas e iniciam suas atividades no país (Stamp do Canadá, Rivoli da Itália, Grupo Pavicentro de Portugal etc.), é notória a fraca imagem corporativa do setor junto ao mercado.

Há algum tempo atrás cabia à ABCI (Associação Brasileira da Construção Industrializada) o principal papel de centro difusor de informações técnicas sobre a construção pré-fabricada de concreto. Com o fim das atividades da entidade em meados da década de 1990, abriu-se uma lacuna que agora vem sendo reocupada com a recente iniciativa de criação da ABCIC (Associação Brasileira da Construção Industrializada em Concreto).

O mercado, o meio profissional e as escolas de arquitetura e engenharia civil por certo esperam da ABCIC informação técnica atualizada sobre esta área do conhecimento. No entanto, mais que apresentar o estado-da-arte da construção pré-fabricada no Brasil e no mundo, é preciso vislumbrar o futuro: as novas tecnologias à base de cimento, tais como o CAD e os compósitos; as inovações tecnológicas aplicadas na execução de obras recentes consideradas emblemáticas; e principalmente a contribuição do setor à superação dos enormes déficits quantitativos e das carências qualitativas existentes nos países em desenvolvimento. Estes são alguns dos temas que podem apontar para a visão de futuro do segmento de pré-fabricados de concreto no Brasil, lançando metas e visões propositivas que venham a fundamentar a opção por esta ferramenta tecnológica, a partir da apresentação detalhada de obras nacionais e internacionais que sirvam de modelos ou efeitos demonstrativos do potencial da pré-fabricação.

Paulo Eduardo Fonseca de Campos é arquiteto, mestre em Engenharia Civil e doutor em Arquitetura e Urbanismo. É diretor da Precast Consultoria e Desenvolvimento do Produto, coordenador do Comitê de Painéis Arquitetônicos da ABCIC e assessor do Subprograma XIV do Programa Ibero-americano CYTED. Foi diretor de Projetos e Desenvolvimento da Pavi do Brasil Pré-fabricação - e-mail: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

 

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